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terça-feira, 22 de julho de 2008

Aí mocinho!!!

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Lembro-me como se fosse hoje, lá pelos idos de 50, eu guardava dinheiro durante toda a semana para no sábado ou no domingo, ir ao cinema Bangu, no subúrbio do Rio de Janeiro, para acompanhar o seriado da época que podia ser a Família Marvel, o Super-Homem, o Homem Borracha, o Zorro, Roy Rogers e muitos outros heróis americanos. Naquela época, só existia herói americano no cinema.
Aí mocinhooo!!! Gritava a galera dos oito aos quinze anos. Como a cadeira do cinema era de madeira e não tinha forro, ou seja, um verdadeiro pulgueiro, o gerente ficava louco com a barulheira dos guris batendo com toda força com o assento.Por incrível que pareça ainda se ouvia o grito do vendedor de balas:
-Baleirooo!!!
Na tela, um homem que estava sempre de terno, gravata e chapéu, gritava Shazam! Um raio surgia, ninguém sabe de onde, e atingia o herói. Era aquele papoco: BOOMM!!! Aparecia então, através de uma fumaceira, um cara com uma vestimenta de dar inveja a qualquer figurinista de cinema ou de televisão de hoje: uma roupa branca bem justa, com uma capa escura que pela tonalidade devia ser vermelha (o filme era preto e branco); no peito, o desenho de um raio. Ele olhava para um lado e para o outro e voava.
Muitos anos depois surgiu a Família Marvel: Capitão Marvel, Mary Marvel e o Boy Marvel.
O filme seriado sempre terminava com nosso herói em situação de perigo e aquele narrador perguntando: “ será que o nosso herói se salva? Veja no próximo capítulo.” A cena normalmente era do Dr. Sylvana (inimigo da família Marvel) sacaneando o Capitão Marvel.
O interessante destas histórias era que o público infantil participava ativamente dando soluções para os problemas dos mocinhos.
Houve um fato naquela época que serve como exemplo de como a turma vestia a camisa dos heróis. Um garoto vestiu uma fantasia do capitão Marvel, gritou Shazam, pulou de cima de um brinquedo no parque de diversões e se estatelou no chão.Não morreu, mas deu manchete de jornal popular: “Garoto grita Shazam e sifu no chão”. Era a interação do público com o filme.
Outro detalhe era que naquelas sessões de cinema, garota não ia. Ai daquela que se atrevesse a enfrentar aquele bando. Era um clube do bolinha onde não entravam meninas, nem suas mães. Quando levavam os filhos menores, deixavam-nos no cinema e os apanhavam no final da sessão.
Uma coisa é certa: nunca vi o Capitão Marvel, o Super Homem, o Zorro, o Homem Borracha, Batman and Robin, qualquer desses heróis matar ou explodir alguém com um tiro na cabeça fazendo os miolos voarem.
A violência nas brigas mocinho X bandido era sempre em prol da comunidade. Bofete pra' lá, bofete pra' cá.E tome porrada.De vez enquanto eles botavam uns passarinhos de desenho animado sobrevoando a cabeça do bandido.É. Isso foi há muito tempo atrás; no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça.

Carlos Tourinho.

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